LITERATURA BRASILEIRA
Textos literrios em meio eletrnico
A Melhor das noivas, de Machado de Assis


Edio referncia: http://www2.uol.com.br/machadodeassis 
Publicado originalmente em Jornal das Famlias 1877 

O sorriso dos velhos  porventura uma das coisas mais adorveis do mundo. No o era 
porm o de Joo Barbosa no ltimo dia de setembro de 1868, riso alvar e grotesco, riso 
sem pureza nem dignidade; riso de homem de setenta e trs anos que pensa em contrair 
segundas npcias. Nisso pensava aquele velho, alis honesto e bom; disso vivia desde 
algumas horas antes. Eram oito da noite: ele entrara em casa com o mencionado riso nos 
lbios. 

 Muito alegre vem hoje o senhor! 
 Sim? 
 Viu passarinho verde? 
 Verde no, D. Joana, mas branco, um branco de leite, puro e de encher o olho, como 
os quitutes que voc me manda preparar s vezes. 
 Querem ver que ... 
 Isso mesmo, D. Joana. 
 Isso qu? 
Joo Barbosa no respondeu; lambeu os beios, piscou os olhos, e deixou-se cair no 
canap. A luz do candelabro bateu-lhe em cheio no rosto, que parecia uma mistura de 
Saturno e stiro. Joo Barbosa desabotoou a sobrecasaca e deu sada a um suspiro, 
aparentemente o ltimo que lhe ficara de outros tempos. Era triste v-lo; era cruel 
adivinh-lo. D. Joana no o adivinhou. 
Esta D. Joana era uma senhora de quarenta e oito anos, rija e macia, que durante dez 
anos dava ao mundo o espetculo de um grande desprezo da opinio. Contratada para 
tomar conta da casa de Joo Barbosa, logo depois de enviuvar, entrou ali em luta com os 
parentes do velho, que eram dois, os quais fizeram tudo para exclu-la sem conseguirem 
nada. Os dois parentes, os vizinhos, finalmente os conhecidos criam firmemente que D. 
Joana aceitara de Joo Barbosa uma posio equvoca, embora lucrativa. Era calnia; D. 
Joana sabia o que diziam dela, e no arredava p. A razo era que, posto no 
transpusesse uma linha das fronteiras estabelecidas no contrato verbal que precedeu a 
sua entrada ali, contudo ela esperava ser contemplada nas ltimas disposies de Joo 
Barbosa; e valia a pena, em seu entender, afrontar os ditos do mundo para receber no fim 
de alguns anos uma dzia de aplices ou uma casa ou alguma coisa equivalente. 
Verdade  que o legado, se fosse de certa consistncia, podia confirmar as suspeitas da 
sociedade; D. Joana, entretanto, professava a mxima extremamente salutar de que o 
essencial  andar-se quente, embora os outros se riam. 
Riam-se os outros, mas de clera, e alguns de inveja. Joo Barbosa, antigo magistrado, 
herdara de seu pai e de um tio quatro ou cinco fazendas, que transferiu a outros, 
convertendo seus cabedais em ttulos do governo e vrios prdios. F-lo logo depois de 
vivo, e passou a residir na corte definitivamente. Perdendo um filho que tinha, achou-se 
quase s; quase, porque ainda lhe restavam dois sobrinhos, que o rodeavam de muitas e 
variadas atenes; Joo Barbosa suspeitava que os dois sobrinhos estimavam ainda mais 
as aplices do que a ele e recusou todas as ofertas que lhe faziam para aceitar-lhes casa. 
Um dia lembrou-se de inserir nos jornais um anncio declarando precisar de uma senhora 
de certa idade, morigerada, que quisesse tomar conta da casa de um homem vivo. D. 
Joana tinha apenas trinta e oito anos; confessou-lhe quarenta e quatro, e tomou posse do 
cargo. Os sobrinhos, quando souberam disto, apresentaram a Joo Barbosa toda a sorte 

de consideraes que podem nascer no crebro de herdeiros em ocasio de perigo. O 
velho ouviu cerca de oito a dez tomos de tais consideraes, mas ateve-se  primeira 
idia, e os sobrinhos no tiveram outro remdio mais que aceitar a situao. 

D. Joana nunca se atrevera a desejar outra coisa mais que ser contemplada no
testamento de Joo Barbosa; mas isso desejava-o ardentemente. A melhor das mes no
tem no corao mais soma de ternura do que ela mostrava ter para servir e cuidar do
opulento septuagenrio. Ela cuidava do caf matinal, escolhia as diverses, lia-lhe os
jornais, contava-lhe as anedotas do quarteiro, tomava-lhe ponto s meias, inventava
guisados que melhor pudessem ajud-lo a carregar a cruz da vida. Conscienciosa e leal,
no lhe dava alimentao debilitante; pelo contrrio punha especial empenho em que lhe
no faltasse nunca o fil sangento e o bom clice de Porto. Um casal no viveria mais
unido.
Quando Joo Barbosa adoecia, D. Joana era tudo; me, esposa, irm, enfermeira; s
vezes era mdico. Deus me perdoe! Parece que chegaria a ser padre, se ele viesse
repentinamente a carecer do ministrio espiritual. O que ela fazia nessas ocasies pediria
um volume, e eu disponho de poucas pginas. Pode-se dizer por honra da humanidade
que o benefcio no caa em terreno estril. Joo Barbosa agradeceu-lhe os cuidados no
s com boas palavras, mas tambm bons vestidos ou boas jias. D. Joana, quando ele
lhe apresentava esses agradecimentos palpveis, ficava envergonhada e recusava, mas
o velho insistia tanto, que era falta de polidez recusar.
Para torn-la mais completa e necessria  casa, D. Joana no adoecia nunca; no
padecia de nervos, nem de enxaqueca, nem de coisa nenhuma; era uma mulher de ferro.
Acordava com a aurora e punha logo os escravos a p; inspecionava tudo, ordenava tudo,
dirigia tudo. Joo Barbosa no tinha outro cuidado mais que viver. Os dois sobrinhos
tentaram alguma vez separar da casa uma mulher que eles temiam pela influncia que j
tinha e pelo desenlace possvel de semelhante situao. Iam levar os boatos da rua aos
ouvidos do tio.
 Dizem isso? perguntava este.
 Sim, senhor, dizem isso, e no parece bonito, na sua idade, estar exposto a...
 A coisa nenhuma, interrompia.
 Nenhuma!
 Ou a pouca coisa. Dizem que eu nutro certa ordem de afetos por aquela santa mulher!
No  verdade, mas no seria impossvel, e sobretudo no era feio.
Esta era a resposta de Joo Barbosa. Um dos sobrinhos, vendo que nada alcanava,
resolvera desligar seus interesses dos do outro, e adotou o plano de aprovar o
procedimento do velho, louvando-lhe as virtudes de D. Joana e rodeando-a de seu
respeito, que a princpio arrastou a prpria caseira. O plano teve algum efeito, porque
Joo Barbosa francamente lhe declarou que ele no era to ingrato como o outro.
 Ingrato, eu? seria um monstro, respondeu o sobrinho Jos com um gesto de
indignao mal contida.
Tal era a situao respectiva entre Joo Barbosa e D. Joana, quando na referida noite de
setembro entrou aquele em casa, com cara de quem tinha visto passarinho verde. D.
Joana tinha dito, por brinco:
 Querem ver que ...
Ao que ele respondeu:
 Isso mesmo.
 Isso mesmo, qu? repetiu D. Joana da a alguns minutos.
 Isso que a senhora pensou.
 Mas eu no pensei nada
 Pois fez mal, D. Joana.
 Mas ento...
 D. Joana, d suas ordens para o ch
D. Joana obedeceu um pouco magoada. Era a primeira vez que Joo Barbosa lhe negava
uma confidncia. Ao mesmo tempo que isso a magoava, fazia-a suspeitosa; tratava-se

talvez de alguma que viria prejudic-la. 
Servindo o ch, depois que Joo Barbosa se despira, apressou-se a caseira, na forma de 
costume, a encher-lhe a xcara, a escolher-lhe as fatias mais tenras, a abrir-lhe o 
guardanapo, com a mesma solicitude de dez anos. Haveria porm uma sombra de 
acanhamento entre ambos, e a palestra foi menos seguida e menos alegre que nas outras 
noites. 
Durante os primeiros dias de outubro, Joo Barbosa trazia o mesmo ar singular, que tanto 
impressionara a caseira. Ele ria a mido, ria para si, ia duas vezes  rua, acordava mais 
cedo, falava de vrias alteraes em casa. D. Joana comeara a suspeitar a causa 
verdadeira daquela mudana. Gelou-se-lhe o sangue e o terror se apoderou de seu 
esprito. Duas vezes procurou encaminhar a conversa ao ponto essencial, mas Joo 
Barbosa andava to fora de si que no ouvia sequer o que ela dizia. Ao cabo de quinze 
dias, concludo o almoo, Joo Barbosa disse-lhe que a acompanhasse ao gabinete.

  agora! pensou ela; vou saber de que se trata.
Passou ao gabinete.
Ali chegando, sentou-se Joo Barbosa e disse a D. Joana que fizesse o mesmo. Era
conveniente; as pernas da boa mulher tremiam como varas.
 Vou dar-lhe a maior prova de estima, disse o septuagenrio.
D. Joana curvou-se.
 Est aqui em casa h dez anos...
 Que me parecem dez meses.
 Obrigado, D. Joana! H dez anos que eu tive a boa idia de procurar uma pessoa que
me tratasse da casa, e a boa fortuna de encontrar na senhora a mais consumada...
 Falemos de outra coisa!
 Sou justo; devo ser justo.
 Adiante.
 Louvo-lhe a modstia;  o belo realce de suas nobres virtudes.
 Vou-me embora.
 No, no v; oua o resto. Est contente comigo?
 Se estou contente! Onde poderia achar-me melhor? O senhor tem sido para mim um
pai...
 Um pai?... interrompeu Joo Barbosa fazendo uma careta; falemos de outra coisa.
Saiba D. Joana que no a quero mais deixar.
 Quem pensa nisso?
 Ningum; mas eu devia diz-lo. No a quero deixar, estar a senhora disposta a fazer
o mesmo?
D. Joana teve uma vertigem, um sonho, um relance do Paraso; ela viu ao longe um
padre, um altar, dois noivos, uma escritura, um testamento, uma infinidade de coisas
agradveis e quase sublimes.
 Se estou disposta! exclamou ela. Quem se lembraria de dizer o contrrio? Estou
disposta a acabar aqui os meus dias; mas devo dizer que a idia de uma aliana... sim...
este casamento...
 O casamento h de fazer-se! interrompeu Joo Barbosa batendo uma palmada no
joelho. Parece-lhe mau?
 Oh! no... mas, seus sobrinhos...
 Meus sobrinhos so dois capadcios, de quem no fao caso.
D. Joana no contestou essa opinio de Joo Barbosa, e este, serenado o nimo,
readquiriu o sorriso de bem-aventurana que, durante as duas ltimas semanas, o
distinguia do resto dos mortais. D. Joana no se atrevia a olhar para ele e brincava com
as pontas do mantelete que trazia. Correram assim dois ou trs minutos.
 Pois  o que lhe digo, continuou Joo Barbosa, o casamento h de fazer-se. Sou
maior, no devo satisfao a ningum.
 L isso  verdade.
 Mas, ainda que as devesse, poderia eu hesitar  vista... oh!  vista da incomparvel

graa daquela... v l.. de D. Lucinda? 
Se um condor, segurando D. Joana em suas garras possantes, subisse com ela at perto 
do sol, de l a despenhasse  terra, menor seria a queda do que a que lhe produziu a 
ltima palavra de Joo Barbosa. A razo da queda no era, na verdade, aceitvel, 
porquanto nem ela at ento sonhara para si a honra de desposar o amo, nem este, nas 
poucas palavras que lhe dissera antes, lhe fizera crer claramente tal coisa. Mas o 
demnio da cobia produz maravilhas dessas, e a imaginao da caseira via as coisas 
mais longe de que elas podiam ir. Creu um instante que o opulento septuagenrio a 
destinava para sua esposa, e forjou logo um mundo de esperanas e realidades que o 
sopro de uma s palavra dissolveu e dispersou no ar. 

 Lucinda! repetiu ela quando pde haver de novo o uso da voz. Quem  essa D.
Lucinda?
 Um dos anjos do cu enviado pelo Senhor, a fim de fazer a minha felicidade na terra.
 Est caoando! disse D. Joana atando-se a um fragmento de esperana.
 Quem dera que fosse caoada! replicou Joo Barbosa. Se tal fosse, continuaria eu a
viver tranqilo, sem conhecer a suprema ventura,  certo, mas tambm sem padecer
abalos de corao...
 Ento  certo... 
Certssimo.
D. Joana estava plida.
Joo Barbosa continuou:
 No pense que  alguma menina de quinze anos;  uma senhora feita; tem seus trinta
e dois feitos;  viva; boa famlia...
O panegrico da noiva continuou, mas D. Joana j no ouvia nada. posto nunca meditasse
em fazer-se mulher de Joo Barbosa via claramente que a resoluo deste viria prejudicla: nada disse e ficou triste. O septuagenrio, quando expandiu toda a alma em elogios 
pessoa que escolhera para ocupar o lugar da esposa morta h to longos anos, reparou
na tristeza de D. Joana e apressou-se a anim-la.
 Que tristeza  essa, D. Joana? disse ele. Isto no altera nada a sua posio. Eu j
agora no a deixo; h de ter aqui a sua casa at que Deus a leve para si.
 Quem sabe? suspirou ela.
Joo Barbosa fez-lhe os seus mais vivos protestos, e tratou de vestir-se para sair. Saiu, e
dirigiu-se da Rua da Ajuda, onde morava, para a dos Arcos, onde morava a dama de seus
pensamentos, futura esposa e dona de sua casa.
D. Lucinda G... tinha trinta e quatro anos para trinta e seis, mas parecia ter mais, to
severo era o rosto, e to de matrona os modos. Mas a gravidade ocultava um grande
trabalho interior, uma luta dos meios que eram escassos, com os desejos, que eram
infinitos.
Viva desde os vinte e oito anos, de um oficial de marinha, com quem se casara aos
dezessete para fazer a vontade aos pais, D. Lucinda no vivera nunca segundo as
ambies secretas de seu esprito. Ela amava a vida suntuosa, e apenas tinha com que
passar modestamente; cobiava as grandezas sociais e teve de contentar-se com uma
posio medocre. Tinha alguns parentes, cuja posio e meios eram iguais aos seus, e
no podiam portanto dar-lhe quanto ela desejava. Vivia sem esperana nem consolao.
Um dia, porm, surgiu no horizonte a vela salvadora de Joo Barbosa. Apresentado 
viva do oficial de marinha, em uma loja da Rua do Ouvidor, ficou to cativo de suas
maneiras e das graas que lhe sobreviviam, to cativo que pediu a honra de travar
relaes mais estreitas. D. Lucinda era mulher, isto , adivinhou o que se passara no
corao do septuagenrio, antes mesmo que este desse acordo de si. Uma esperana
iluminou o corao da viva; aceitou-a como um presente do cu.
Tal foi a origem do amor de Joo Barbosa.
Rpido foi o namoro, se namoro podia haver entre os dois vivos. Joo Barbosa, apesar
de seus cabedais, que o faziam noivo singularmente aceitvel, no se atrevia a dizer 
dama de seus pensamentos tudo o que lhe tumultuava no corao.

Ela ajudou-o.
Um dia, achando-se ele embebido a olhar para ela, D. Lucinda perguntou-lhe
graciosamente se nunca a tinha visto.


 Vi-a h muito.
 Como assim?
 No sei... balbuciou Joo Barbosa.
D. Lucinda suspirou.
Joo Barbosa suspirou tambm.
No dia seguinte, a viva disse a Joo Barbosa que dentro de pouco tempo se despediria
dele. Joo Barbosa pensou cair da cadeira abaixo.
 Retira-se da corte?
 Vou para o Norte.
 Tem l parentes?
 Um.
Joo Barbosa refletiu alguns instantes. Ela espreitou a reflexo com uma curiosidade de
co rafeiro.
 No h de ir! exclamou o velho da a pouco.
 No?
 No.
 Como assim?
Joo Barbosa abafou uma pontada reumtica, ergueu-se, curvou-se diante de D. Lucinda
e pediu-lhe a mo. A viva no corou; mas, posto esperasse aquilo mesmo, estremeceu
de jbilo.
 Que me responde? perguntou ele.
 Recuso.
 Recusa!
 Oh! com muita dor do meu corao, mas recuso!
Joo Barbosa tornou a sentar-se; estava plido.
 No  possvel! disse ele.
 Mas por qu?
 Por que... por que, infelizmente, o senhor  rico.
 Que tem?
 Seus parentes diro que eu lhe armei uma cilada para enriquecer...
 Meus parentes! Dois biltres, que no valem a mnima ateno! Que tem que digam
isso?
 Tem tudo. Alm disso...
 Que mais?
 Tenho parentes meus, que no ho de levar a bem este casamento; diro a mesma
coisa, e eu ficarei... No falemos em semelhante coisa!
Joo Barbosa estava aflito e ao mesmo tempo dominado pela elevao de sentimentos
da interessante viva. O que ele ento esperdiou em eloqncia e raciocnio encheria
meia biblioteca; lembrou-lhe tudo: a superioridade de ambos, sua independncia, o
desprezo que mereciam as opinies do mundo, sobretudo as opinies dos interessados;
finalmente, pintou-lhe o estado de seu corao. Este ltimo argumento pareceu
enternecer a viva.
 No sou moo, dizia ele, mas a mocidade...
 A mocidade no est na certido de batismo, acudiu filosoficamente D. Lucinda, est
no sentimento, que  tudo; h moos decrpitos, e homens maduros eternamente jovens.
 Isso, isso...
 Mas...
 Mas, h de ceder! Eu lho peo; unamo-nos e deixemos falar os invejosos!
D. Lucinda resistiu pouco mais. O casamento foi tratado entre os dois, convencionando-se
que se verificaria o mais cedo possvel.
Joo Barbosa era homem digno de apreo; no fazia as coisas por metade. Quis arranjar

as coisas de modo que os dois sobrinhos nada tivessem do que ele deixasse quando
viesse a morrer, se tal desastre tinha de acontecer  coisa de que o velho no estava
muito convencido.
Tal era a situao.
Joo Barbosa fez a visita costumada  interessante noiva. Era matinal demais; D.
Lucinda, porm, no podia dizer nada que viesse a desagradar a um homem que to
galhardamente se mostrava com ela.
A visita nunca ia alm de duas horas; era passada em coisas insignificantes, entremeada
de suspiros do noivo, e muita faceirice dela.


 O que me estava reservado nestas alturas! dizia Joo Barbosa ao sair de l.
Naquele dia, logo que ele saiu de casa, D. Joana tratou de examinar friamente a situao.
No podia haver pior para ela. Era claro que, embora Joo Barbosa no a despedisse
logo, seria compelido a faz-lo pela mulher nos primeiros dias do casamento, ou talvez
antes. Por outro lado, desde que ele devesse carinhos a algum mais que no a ela
somente, sua gratido viria a diminuir muito, e com a gratido o legado provvel.
Era preciso achar um remdio.
Qual?
Nisso gastou D. Joana toda a manh sem achar soluo nenhuma, ao menos soluo
que prestasse. Pensou em vrias coisas, todas impraticveis ou arriscadas e terrveis
para ela.
Quando Joo Barbosa voltou para casa, s trs horas da tarde, achou-a triste e calada.
Indagou o que era; ela respondeu com algumas palavras soltas, mas sem clareza, de
maneira que ele ficaria na mesma, se no tivesse havido a cena da manh.
 J lhe disse, D. Joana, que a senhora no perde nada com a minha nova situao. O
lugar pertence-lhe.
O olhar de dignidade ofendida que ela lhe lanou foi tal que ele no achou nenhuma
rplica. Entre si fez um elogio  caseira.
 Tem-me afeio, coitada!  uma alma dotada de muita elevao.
D. Joana no o serviu com menos carinho nesse e no dia seguinte; era a mesma
pontualidade e solicitude. A tristeza porm era tambm a mesma e isto desconsolava
sobremodo o noivo de D. Lucinda, cujo principal desejo era faz-las felizes ambas.
O sobrinho Jos, que tivera o bom gosto de cortar os laos que o prendiam ao outro,
desde que viu serem inteis os esforos para separar D. Joana de casa, no deixava de
ali ir a mido tomar a bno ao tio e receber alguma coisa de quando em quando.
Acertou de ir alguns dias depois da revelao de Joo Barbosa. No o achou em casa,
mas D. Joana estava, e ele em tais circunstncias no deixava de se demorar a louvar o
tio, na esperana de que alguma coisa chegasse aos ouvidos deste. Naquele dia notou
que D. Joana no tinha a alegria do costume.
Interrogada por ele, D. Joana respondeu:
 No  nada...
 Alguma coisa h de ser, dar-se- caso que...
 Que?...
 Que meu tio esteja doente?
 Antes fosse isso!
 Que ouo?
D. Joana mostrou-se arrependida do que dissera e metade do arrependimento era
sincero, metade fingido. No tinha grande certeza da discrio do rapaz; mas via bem
para que lado iam seus interesses. Jos tanto insistiu em saber do que se tratava que ela
no hesitou em dizer-lhe tudo, debaixo de palavra de honra e no mais inviolvel segredo.
 Ora veja, concluiu ela, se ao saber que essa senhora trata de enganar o nosso bom
amigo para haver-lhe a fortuna...
 No diga mais, D. Joana! interrompeu Jos fulo de clera.
 Que vai fazer?
 Verei, verei...

 Oh! no me comprometa! 
 J lhe disse que no; saberei desfazer a trama da viva. Ela veio aqui alguma vez? 
 No, mas consta-me que h de vir domingo jantar. 
 Virei tambm. 
 Pelo amor de Deus... 
 Descanse!
Jos via o perigo tanto como D. Joana; s no viu que ela lhe contara tudo, para hav-lo
de seu lado e faz-lo trabalhar por desfazer um lao quase feito. O medo d s vezes
coragem, e um dos maiores medos do mundo  o de perder uma herana. Jos sentiu-se
resoluto a empregar todos os esforos para obstar o casamento do tio.
D. Lucinda foi efetivamente jantar em casa de Joo Barbosa. Este no cabia em si de
contente desde que se levantou. Quando D. Joana foi levar-lhe o caf do costume, ele
desfez-se em elogios  noiva.
 A senhora vai v-la, D. Joana, vai ver o que  uma pessoa digna de todos os respeitos
e merecedora de uma afeio nobre e profunda.
 Quer mais acar?
 No. Que graa! que maneiras, que corao! No imagina que tesouro  aquela
mulher! Confesso que estava longe de suspeitar to raro conjunto de dotes morais.
Imagine...
 Olhe que o caf esfria...
 No faz mal. Imagine...
 Creio que h gente de fora. Vou ver.
D. Joana saiu; Joo Barbosa ficou pensativo.
 Coitada! A idia de que vai perder a minha estima no a deixa um s instante. In petto
no aprova talvez este casamento, mas no se atreveria nunca a diz-lo.  uma alma
extremamente elevada!
D. Lucinda apareceu perto das quatro horas. Ia luxuosamente vestida, graas a algumas
dvidas feitas  conta dos futuros cabedais. A vantagem daquilo era no parecer que Joo
Barbosa a tirava do nada.
Passou-se o jantar sem incidente nenhum; pouco depois de oito horas, D. Lucinda retirouse deixando encantado o noivo. D. Joana, se no fossem as circunstncias apontadas,
devia ficar igualmente namorada da viva, que a tratou com uma bondade, uma distino
verdadeiramente adorveis. Era talvez clculo; D. Lucinda queria ter por si todos os votos,
e sabia que o da boa velha tinha alguma considerao.
Entretanto, o sobrinho de Joo Barbosa, que tambm ali jantara, apenas a noiva do tio se
retirou para casa foi ter com ele.
 Meu tio, disse Jos, reparei hoje uma coisa.
 Que foi?
 Reparei que se o senhor no tiver conta em si  capaz de ser embaado.
 Embaado?
 Nada menos.
 Explica-te.
 Dou-lhe notcia de que a senhora que hoje aqui esteve tem idias a seu respeito.
 Idias? Explica-te mais claramente.
 Pretende despos-lo.
 E ento?
 Ento,  que o senhor  o quinto ricao, a quem ela lana, a rede. Os primeiros quatro
perceberam a tempo o sentimento de especulao pura, e no caram. Eu previno-o
disso, para que no se deixar levar pelo conto da sereia, e se ela lhe falar em alguma
coisa...
Joo Barbosa que j estava vermelho de clera, no se pde conter; cortou-lhe a palavra
intimando-o a que sasse. O rapaz disse que obedecia, mas no interrompeu as reflexes:
inventou o que pde, deitou cores sombrias ao quadro, de maneira que saiu deixando o
veneno no corao do pobre velho.

Era difcil que algumas palavras tivessem o condo de desviar o namorado do plano que 
assentara; mas  certo que foi esse o ponto de partida de uma longa hesitao. Joo 
Barbosa vociferou contra o sobrinho, mas, passado o primeiro acesso, refletiu um pouco 
no que lhe acabava de ouvir e concluiu que seria realmente triste, se ele tivesse razo. 

 Felizmente,  um caluniador! concluiu ele.
D. Joana soube da conversa havida entre Joo Barbosa e o sobrinho, e aprovou a idia
deste; era necessrio voltar  carga; e Jos no se descuidou disso.
Joo Barbosa confiou  caseira as perplexidades que o sobrinho buscava lanar em seu
corao,
 Acho que ele tem razo, disse ela.
 Tambm tu?
 Tambm eu, e se o digo  porque o posso dizer, visto que desde hoje estou desligada
desta casa.
D. Joana disse isto levando o leno aos olhos, o que partiu o corao de Joo Barbosa
em mil pedaos; tratou de a consolar e inquiriu a causa de semelhante resoluo. D.
Joana recusou explicar; afinal estas palavras saram de sua boca trmula e comovida:
  que... tambm eu tenho corao!
Dizer isto e fugir foi a mesma coisa. Joo Barbosa ficou a olhar para o ar, depois dirigiu os
olhos a um espelho, perguntando-lhe se efetivamente no era explicvel aquela
declarao.
Era.
Joo Barbosa mandou-a chamar. Veio D. Joana e arrependida de ter ido to longe, tratou
de explicar o que acabava de dizer. A explicao era fcil; repetiu que tinha corao,
como o sobrinho de Joo Barbosa, e no podia, como o outro, v-lo entregar-se a uma
aventureira.
 Era isso?
  duro de o dizer, mas cumpri o que devia; compreendo porm que no posso
continuar nesta casa.
Joo Barbosa procurou apaziguar-lhe os escrpulos; e D. Joana deixou-se vencer,
ficando.
Entretanto, o noivo sentia-se um tanto perplexo e triste. Cogitou, murmurou, vestiu-se e
saiu.
Na primeira ocasio em que se encontrou com D. Lucinda, esta, vendo-o triste,
perguntou-lhe se eram incmodos domsticos.
 Talvez, resmungou ele.
 Adivinho.
 Sim?
 Alguma que lhe fez a caseira que o senhor l tem?
 Por que supe isso?
D. Lucinda no respondeu logo; Joo Barbosa insistiu.
 No simpatizo com aquela cara.
 Pois no  m mulher.
 De aparncia, talvez.
 Parece-lhe ento...
 Nada; digo que bem pode ser alguma intrigante...
 Oh!
 Mera suposio.
 Se a conhecesse havia de lhe fazer justia.
Joo Barbosa no recebeu impunemente esta alfinetada. Se efetivamente D. Joana no
passasse de uma intrigante? Era difcil sup-lo ao ver a cara com que ela o recebeu na
volta. No a podia haver mais afetuosa. Contudo, Joo Barbosa ps-se em guarda;
convm dizer, em honra de seus afetos domsticos, que no o fez sem tristeza e
amargura.
 Que tem o senhor que est to macambzio? perguntou D. Joana com a mais doce

voz que possua. 

 Nada, D. Joana.
E da a pouco:
 Diga-me; seja franca. Algum a incumbiu de me dizer aquilo a respeito da senhora
que...
D. Joana tremeu de indignao.
 Pois imagina que eu seria capaz de fazer-me instrumento... Oh!  demais!
O leno correu aos olhos e provavelmente encheu-se de lgrimas. Joo Barbosa no
podia ver chorar uma mulher que o servia to bem h tanto tempo. Consolou-a como
pde, mas o golpe (dizia ela) fora profundo. Isto foi dito to de dentro, e com to amarga
voz, que Joo Barbosa no pde esquivar-se a esta reflexo.
 Esta mulher ama-me!
Desde que, pela segunda vez, se lhe metia esta suspeita pelos olhos, seus sentimentos
em relao a D. Joana eram de compaixo e simpatia. Ningum pode odiar a pessoa que
o ama silenciosamente e sem esperana. O bom velho sentia-se lisonjeado da vegetao
amorosa que seus olhos faziam brotar dos coraes.
Da em diante comeou uma luta entre as duas mulheres de que eram campo e objeto o
corao de Joo Barbosa. Uma tratava de demolir a influncia da outra; os dois
interesses esgrimiam com todas as armas que tinham  mo.
Joo Barbosa era um joguete entre ambas  uma espcie de bola de borracha que uma
atirava s mos da outra, e que esta de novo lanava s da primeira. Quando estava com
Lucinda suspeitava de Joana; quando com Joana suspeitava de Lucinda. Seu esprito,
debilitado pelos anos, no tinha consistncia nem direo; uma palavra o dirigia ao sul,
outra o encaminhava ao norte.
A esta situao, j de si complicada, vieram juntar-se algumas circunstncias
desfavorveis a D. Lucinda. O sobrinho Jos no cessava as suas insinuaes; ao
mesmo tempo os parentes da interessante viva entraram a rodear o velho, com tal
sofreguido, que, apesar de sua boa vontade, este desconfiou seriamente das intenes
da noiva. Nisto sobreveio um ataque de reumatismo. Obrigado a no sair de casa, era a
D. Joana que cabia desta vez exclusivamente a direo do esprito de Joo Barbosa. D.
Lucinda foi visit-lo algumas vezes; mas o papel principal no era seu.
A caseira no se poupou a esforos para readquirir a antiga influncia; o velho ricao
saboreou de novo as delcias da dedicao de outro tempo. Ela o tratava, amimava e
conversava; lia-lhe os jornais, contava-lhe a vida dos vizinhos entremeada de velhas
anedotas adequadas  narrao. A distncia e a ausncia eram dois dissolventes
poderosos do amor decrpito de Joo Barbosa.
Logo que ele melhorou um pouco foi  casa de D. Lucinda. A viva o recebeu com
polidez, mas sem a solicitude a que o acostumara. Sucedendo a mesma coisa outra vez,
Joo Barbosa sentiu que, pela sua parte, tambm o primitivo afeto esfriara um pouco.
D. Lucinda contava aguar-lhe o afeto e o desejo mostrando-se fria e reservada; sucedeu
o contrrio. Quando quis resgatar o que perdera, era um pouco tarde; contudo no
desanimou.
Entretanto, Joo Barbosa voltara  casa, onde a figura de D. Joana lhe pareceu a mais
ideal de todas as esposas.
 Como  que no me lembrei h mais tempo de casar com esta mulher? pensou ele.
No fez a pergunta em voz alta; mas D. Joana pressentiu num olhar de Joo Barbosa que
aquela idia alvorecia em seu generoso esprito.
Joo Barbosa voltou a concentrar-se em casa. D. Lucinda, aps os primeiros dias,
derramou o corao em longas cartas que eram pontualmente entregues em casa de
Joo Barbosa, e que este lia em presena de D. Joana, posto fosse em voz baixa. Joo
Barbosa, logo  segunda, quis ir reatar o vnculo roto; mas o outro vnculo que o prendia 
caseira era j forte e a idia foi posta de lado. D. Joana achou enfim meio de subtrair as
cartas.
Um dia, Joo Barbosa chamou D. Joana a uma conferncia particular.

 D. Joana, chamei-a para lhe dizer uma coisa grave. 
 Diga. 
 Quero fazer a sua felicidade. 
 J no a faz h tanto tempo? 
 Quero faz-la de modo mais positivo e duradouro. 
 Como? 
 A sociedade no cr, talvez, na pureza de nossa afeio; confirmemos a suspeita da
sociedade.
 Senhor! exclamou D. Joana com um gesto de indignao to nobre quo simulado.
 No me entendeu, D. Joana, ofereo-lhe a minha mo...
Um acesso de asma, porque ele tambm padecia de asma, veio interromper a conversa
no ponto mais interessante. Joo Barbosa gastou alguns minutos sem falar nem ouvir.
Quando o acesso passou, sua felicidade, ou antes a de ambos, estava prometida de parte
a parte. Ficava assentado um novo casamento.
D. Joana no contava com semelhante desenlace, e abenoou a viva que, pretendendo
casar com o velho, sugeriu-lhe a idia de fazer o mesmo e a encaminhou quele
resultado. O sobrinho Jos  que estava longe de crer que havia trabalhado simplesmente
para a caseira; tentou ainda impedir a realizao do plano do tio, mas este s primeiras
palavras f-lo desanimar.
 Desta vez, no cedo! respondeu ele; conheo as virtudes de D. Joana, e sei que
pratico um ato digno de louvor.
 Mas...
 Se continuas, pagas-me!
Jos recuou e no teve outro remdio mais que aceitar os fato consumados. O pobre
septuagenrio treslia evidentemente.
D. Joana tratou de apressar o casamento, receosa de que, ou algumas das vrias
molstias de Joo Barbosa, ou a prpria velhice desse cabo dele, antes de arranjadas as
coisas. Um tabelio foi chamado, e tratou, por ordem do noivo, de preparar o futuro de D.
Joana.
Dizia o noivo:
 Se eu no tiver filhos, desejo...
 Descanse, descanse, respondeu o tabelio.
A notcia desta resoluo e dos atos subseqentes chegou aos ouvidos de D. Lucinda,
que mal pde crer neles.
 Compreendo que me fugisse; eram intrigas daquela... daquela criada! exclamou ela.
Depois ficou desesperada; interpelou o destino, deu ao diabo todos os seus infortnios.
 Tudo perdido! tudo perdido! dizia ela com uma voz arrancada s entranhas.
Nem D. Joana nem Joo Barbosa a podiam ouvir. Eles viviam como dois namorados
jovens, embebidos no futuro. Joo Barbosa planeava mandar construir uma casa
monumental em algum dos arrabaldes onde passaria o resto de seus dias. Conversavam
das divises que a casa devia ter, da moblia que lhe convinha, da chcara, e do jantar
com que deviam inaugurar a residncia nova.
 Quero tambm um baile! dizia Joo Barbosa.
 Para qu? Um jantar basta.
 Nada! H de haver grande jantar e grande baile;  mais estrondoso. Demais, quero
apresentar-te  sociedade como minha mulher, e fazer-te danar com algum adido de
legao. Sabes danar?
 Sei. 
 Pois ento! Jantar e baile.
Marcou-se o dia de ano bom para celebrao do casamento.
 Comearemos um ano feliz, disseram ambos.
Faltavam ainda dez dias, e D. Joana estava impaciente. O sobrinho Jos, alguns dias
arrufado, fez as pazes com a futura tia. O outro aproveitou o ensejo de vir pedir o perdo
do tio; deu-lhe os parabns e recebeu a bno. J agora no havia remdio seno

aceitar de boa cara o mal inevitvel.
Os dias aproximaram-se com uma lentido mortal; nunca D. Joana os vira mais
compridos. Os ponteiros do relgio pareciam padecer de reumatismo; o sol devia ter por
fora as pernas inchadas. As noites pareciam-se com as da eternidade.
Durante a ltima semana Joo Barbosa no saiu de casa; todo ele era pouco para
contemplar a prxima companheira de seus destinos. Enfim raiou a aurora cobiada.


D. Joana no dormia um minuto sequer, tanto lhe trabalhava o esprito.
O casamento devia ser feito sem estrondo, e foi uma das vitrias de D. Joana, porque o
noivo falava em um grande jantar e meio mundo de convidados. A noiva teve prudncia;
no queria expor-se e exp-lo a comentrios. Conseguira mais; o casamento devia ser
celebrado em casa, num oratrio preparado de propsito. Pessoas de fora, alm dos
sobrinhos, havia duas senhoras (uma das quais era madrinha) e trs cavalheiros, todos
eles e elas maiores de cinqenta.
D. Joana fez sua apario na sala alguns minutos antes da hora marcada para celebrao
do matrimnio. Vestia com severidade e simplicidade.
Tardando o noivo, ela mesma o foi buscar.
Joo Barbosa estava no gabinete j pronto, sentado ao p de uma mesa, com uma das
mos caladas.
Quando D. Joana entrou deu com os olhos no grande espelho que ficava defronte e que
reproduzia a figura de Joo Barbosa; este estava de costas para ela. Joo Barbosa fitavaa rindo, um riso de bem-aventurana.
 Ento! disse D. Joana.
Ele continuava a sorrir e a fit-la; ela aproximou-se, rodeou a mesa, olhou-o de frente.
 Vamos ou no?
Joo Barbosa continuava a sorrir e a fit-la. Ela aproximou-se e recuou espavorida.
A morte o tomara; era a melhor das noivas.
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